As experiências que temos durante o parto podem permanecer no nosso corpo muito depois de aquele dia terminar. As palavras que nos disseram durante o trabalho de parto, os momentos em que nos sentimos ignoradas ou apressadas, o luto por um parto que não aconteceu como sonhámos… tudo isso pode influenciar a forma como vivemos a maternidade hoje. Curar não significa esquecer. Significa olhar para a nossa própria história com carinho e cuidado, para que os nossos filhos não tenham de carregar aquilo que nós carregámos. Uma coisa em que tenho pensado ultimamente é no nascimento do meu filho. O nascimento dele foi, para mim, simultaneamente traumático e profundamente empoderador. Ele nasceu numa posição posterior, sem analgesia, e foi muito intenso. Eu gritei. Muito. 🫠 Foi doloroso, poderoso e, sinceramente, uma daquelas experiências que ficam connosco. Mas a minha filha tinha apenas 18 meses… e estava lá. E às vezes pergunto-me: O que é que ela viveu naquele dia? Ela percebeu que a mãe estava com dores? Ficou assustada? Ou simplesmente viveu aquilo como algo intenso que estava a acontecer à sua volta? E pergunto-me se aquela experiência ficou, de alguma forma, no seu pequeno corpo ou na sua memória… e, se ficou, de que forma? Não faço esta pergunta a partir de um lugar de culpa. Acho que faço esta pergunta porque a maternidade nos faz olhar para trás e refletir sobre coisas para as quais talvez não tivéssemos capacidade de olhar naquele momento. E o parto não acontece apenas à pessoa que está a dar à luz. Pode ser também uma experiência vivida pelas pessoas que estão presentes. Por isso, hoje estou a pensar nas histórias de parto que carregamos… e nas histórias que os nossos filhos possam ter testemunhado. Não para criar culpa. Não para reescrever o passado. Mas simplesmente para termos curiosidade sobre ele. 🌿 Há alguma coisa da tua experiência de parto sobre a qual tenhas ficado a pensar desde que te tornaste mãe? Algo que viveste? Algo que o teu filho mais velho testemunhou?